Caminhões a gás estão perdendo espaço no Brasil? Scania surpreende e prevê 750 unidades vendidas em 2026

Caminhões a gás estão perdendo espaço no Brasil? Scania surpreende e prevê 750 unidades vendidas em 2026

Enquanto os emplacamentos de caminhões a gás caem no mercado brasileiro, a Scania amplia sua carteira e aposta forte no biometano. Entenda o que está acontecendo e por que essa tecnologia ainda chama a atenção do setor.

O mercado brasileiro de caminhões está passando por uma transformação. Enquanto o diesel continua sendo a principal fonte de energia para o transporte rodoviário de cargas, novas alternativas começam a ganhar espaço nas frotas brasileiras.

Uma das tecnologias que mais despertam curiosidade é o uso de gás natural e biometano em caminhões. E os números mais recentes mostram um cenário curioso: o mercado de caminhões a gás recuou, mas a Scania conseguiu superar sua própria meta de vendas para 2026.

Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira (10), a fabricante já vendeu as 500 unidades a gás que havia planejado comercializar durante o ano e possui outros 250 caminhões em sua carteira de pedidos. Com isso, a empresa prevê chegar a 750 caminhões a gás vendidos no Brasil em 2026.

Mas se o mercado caiu, como a Scania está crescendo?

Esse é justamente um dos pontos mais curiosos da notícia.

De janeiro a julho de 2026, foram emplacados 338 caminhões a gás no Brasil, contra 507 no mesmo período de 2025. Isso representa uma redução de 33,3%.

Ao mesmo tempo, a Scania afirma que possui uma carteira de pedidos suficiente para chegar às 750 unidades vendidas neste ano.

A diferença acontece porque existe um intervalo entre a venda de um caminhão, sua produção, entrega ao cliente e o posterior emplacamento. Portanto, um caminhão vendido pela fabricante hoje pode aparecer nas estatísticas oficiais somente meses depois.

Isso significa que os números de vendas e os números de emplacamentos nem sempre contam a mesma história no mesmo momento.

O biometano ganha espaço nas grandes operações

Um dos exemplos mais interessantes é o projeto da transportadora TransJordano, que prevê a incorporação de 100 caminhões movidos a biometano à frota.

Os veículos são caminhões Scania 6×4 destinados a operações com rodotrens de nove eixos, com capacidade de até 74 toneladas.

A operação também conta com financiamento do Fundo Clima, do BNDES, e prevê a criação de uma estrutura própria de abastecimento entre Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, em São Paulo.

Segundo estimativas apresentadas pela empresa, o biometano pode proporcionar uma redução de até 95% nas emissões de CO₂ em comparação com o diesel, além de redução no consumo e nos custos operacionais.

Por outro lado, existe um desafio: o combustível ainda pode apresentar preço superior ao diesel. Isso mostra que a escolha de uma nova tecnologia não depende apenas da questão ambiental, mas também da infraestrutura disponível, do tipo de operação e da conta final para o transportador.

E os caminhões elétricos?

Enquanto os caminhões a gás perderam espaço nos emplacamentos, os elétricos apresentaram movimento contrário.

Entre janeiro e julho de 2026, os caminhões elétricos passaram de 672 para 855 unidades emplacadas, crescimento de 27,2%.

No mesmo período, os modelos a gás caíram de 507 para 338 unidades.

Somando as duas tecnologias, foram 1.193 caminhões elétricos e a gás emplacados nos primeiros sete meses de 2026, apenas 1,2% acima das 1.179 unidades registradas no mesmo período do ano anterior.

Ou seja: o mercado de caminhões de menor emissão ainda representa uma parcela pequena do setor, mas está acontecendo uma mudança importante na composição dessas tecnologias.

O futuro não terá apenas um tipo de caminhão

Essa transformação também aparece nas discussões sobre a Fenatran 2026, uma das principais feiras do setor de transporte rodoviário.

A próxima edição deverá reunir soluções envolvendo diesel, gás natural, biometano, eletrificação, etanol, inteligência artificial, conectividade e sistemas de gestão de frota.

A tendência apontada pelo setor é que não exista uma única tecnologia capaz de atender todas as operações.

Um caminhão elétrico, por exemplo, pode fazer muito sentido para determinadas operações urbanas e de curta distância. Já em viagens longas, outras tecnologias podem oferecer vantagens relacionadas à autonomia e à infraestrutura disponível.

Essa diversidade pode mudar a forma como os transportadores escolhem seus próximos veículos.

O mercado de caminhões também começa a reagir

A discussão sobre novas tecnologias acontece justamente em um momento de recuperação gradual do mercado brasileiro.

Em julho, foram registrados cerca de 11,7 mil caminhões, crescimento de 19,4% em relação a junho e 10% acima do resultado de julho de 2025.

Mesmo assim, no acumulado de janeiro a julho, o mercado ainda registrou queda de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os dados mostram que o setor ainda enfrenta desafios, principalmente relacionados ao custo do crédito, juros e custos operacionais.

Por isso, a escolha de um caminhão novo envolve cada vez mais fatores: preço de aquisição, consumo de combustível, manutenção, autonomia, disponibilidade de abastecimento, tecnologia embarcada e valor de revenda.

Afinal, o caminhão a gás vai substituir o diesel?

Ainda é cedo para afirmar.

Os números mostram que os caminhões a gás continuam representando uma parcela pequena do mercado brasileiro, enquanto os modelos elétricos vêm aumentando sua participação.

Ao mesmo tempo, grandes empresas continuam investindo em veículos movidos a gás e biometano, principalmente em operações nas quais existe infraestrutura adequada para abastecimento.

O cenário indica que o futuro do transporte rodoviário provavelmente será marcado pela diversificação das tecnologias, e não pela substituição imediata de uma fonte de energia por outra.

Para o transportador, isso significa que a pergunta mais importante pode deixar de ser “qual é o caminhão do futuro?” e passar a ser:

Qual tecnologia é mais adequada para a minha operação?

Conclusão

O mercado brasileiro de caminhões está mudando, mas essa transformação não acontece de uma única maneira.

Enquanto os caminhões a gás enfrentam queda nos emplacamentos, fabricantes como a Scania continuam registrando pedidos e ampliando seus investimentos em biometano. Paralelamente, os caminhões elétricos aumentam sua participação e tecnologias como inteligência artificial, conectividade e telemetria passam a fazer parte cada vez mais da rotina das frotas.

Para quem acompanha o setor, uma coisa já está clara: o caminhão do futuro não será definido por uma única tecnologia. A tendência é termos diferentes soluções para diferentes tipos de transporte.

E essa transformação promete deixar o mercado de caminhões cada vez mais tecnológico, competitivo e interessante para quem trabalha com transporte e logística.

Fonte: Transporte Moderno, dados de mercado baseados em informações da Anfavea; Portal O Carreteiro.

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